BLUVOLEI 30 Anos: Uma realização de amor ao voleibol (26/06/20)
No dia 24 de Maio de l990, Nasceu o BLUVOLEI! Uma Assembleia de pais e atletas, realizada no auditório do SESI, elegeu a primeira diretoria do Blumenau Voleibol Clube, carinhosamente conhecido por BLUVOLEI.
Em meados de 1987 recebi o convite do Prof. Walmor Bus que era o treinador da equipe adulta da Cia Hering, de Blumenau, para substitui-lo, pois ele iria passar a exercer a função de Supervisão do projeto da empresa. O convite foi aceito com a Hering concordando com a sugestão que fosse implantado um projeto de revelação de atletas semelhante àquele que eu fazia parte no Pão de Açucar Esporte Clube de São Paulo.
Todos que acompanham o voleibol já ouviram falar em Fofão, Fernanda Venturini, Andreia Marras, Kátia e Simone Storm. Todas levantadoras que chegaram à seleção brasileira de voleibol. Para que se tenha ideia da força do projeto de revelação do Pão de Açucar Esporte Clube, todas passaram por suas Categorias preparatórias.
Luciana e eu iniciamos o trabalho em Blumenau e tínhamos como companheiros de Comissão técnica o Prof. Ivo Silveira como preparador físico, o Prof. Marcelo Bencardino como técnico do infantil, Infanto-juvenil e auxiliar do juvenil e adulto, e o Prof. Rodrigo Kowalski da Luz, que atuava em todas as a categorias. Como chegamos em Blumenau em agosto, em 1987 somente nos ocupamos com a equipe adulta e planejamos a implantação do projeto para o ano seguinte.
Iniciamos a temporada de l988 montando a equipe infanto-juvenil e juvenil com atletas promissoras oriundas de vária cidades de Santa Catarina. O Time adulto foi reforçado para poder bem disputar a Liga Nacional. As equipes mirim e infantil foram constituídas dando sequência a um bom trabalho de iniciação, que já existia ao chegarmos.
Luciana e Rodrigo iniciam então, o tópico mais importante do projeto: dar oportunidade para que as meninas de Blumenau, que fossem potencialmente talentosas para a prática do voleibol, treinassem em uma infraestrutura capaz de dar um bom suporte aos seu desenvolvimento.
No início de cada ano eles percorriam dezenas de escolas de Blumenau e, nas aulas de Educação Física, selecionavam 200 meninas que eram convidadas para testes de confirmação da detecção para a prática do voleibol. Eram feitas avaliações antropométricas, potencialidades de crescimento e de aptidão física (Num próximo texto abordaremos com mais detalhes como funcionava esse processo de revelação de talentos).
As 40 meninas mais bem avaliadas eram convidadas para integrarem duas turmas de “Escolinha”; uma matutina e outra vespertina. Ao término da temporada as meninas que mostravam melhor potencial eram selecionadas para compor a equipe pré-mirim do ano seguinte.
Este trabalho, que revelou, por exemplo Georgette Ulmann e Patrícia Becker, várias vezes convocadas para as seleções brasileira de base, quase foi encerrado em 1990.
No desenvolvimento deste trabalho a supervisão passou a ser exercida pelo Prof. Ditmar Strub e a preparação física pelo Prof. Plauto Mendes.
Iniciou-se então um ciclo de hegemonia de Blumenau no voleibol catarinense. Além dos títulos dos Jogos Abertos e Joguinhos Abertos, conquistávamos o Troféu Eficiência, da Federação Catarinense que premiava o clube com maiores conquistas estaduais, em todas as categorias em disputa, em cada temporada.
A Cia Hering, em função da crise econômica estimulada pelo “Plano Collor”, se viu forçada a encerrar o Projeto Voleibol. De repente, ficamos desamparados financeiramente. Houve uma comoção na cidade! O time de voleibol feminino vai acabar!
Entretanto a determinação para continuar de toda a comissão técnica, contou com apoio e entusiasmo das atletas e seus familiares. Nos unimos atrás de soluções, pois sem dinheiro e infraestrutura estávamos em eminência de “falência”!
Decidiu-se agir: fomos todos para as principais esquinas da Rua XV de novembro, realizar pedágios para angariar recursos para fundarmos o BLUVOLEI. Todos usavam uma camiseta com o lema TENHO O HÁBITO DE NUNCA DESISTIR! Os Pedágios serviram, não só para obtermos recursos financeiros, mas principalmente divulgar o nosso movimento. A cidade se mobilizou!
O entusiasmo levou à Criação do BLUVOLEI, tendo uma diretoria constituída por pais de atletas e amigos do voleibol. Ângelo Antonio Lanser foi o primeiro Presidente. Graças ao apoio da Fundação Municipal de Esportes, que pagava os salários dos técnicos – claro que muito menores daquele recebidos até então - e ao apoio do SESI, que permitiu que continuássemos a usar suas dependências, as atividades continuaram, agora com o nome BLUVOLEI! Nós representávamos Blumenau nos Jogos Abertos e nos Joguinhos! E se seguiram muitos Títulos!
Os antigos agasalhos da Hering receberam, por cima do logo da Hering a estampa do Bluvolei, pois não tínhamos dinheiro para comprar novos. As camisetas de treinos possuíam dezenas de pequenas estampas de diversas malharias que nos ajudavam com pequenas quantias. Na verdade, estas pequenas empresas não pensavam em retornos, mas sim auxiliar o trabalho de voleibol da cidade.
Luciana e eu levamos várias atletas, que eram de outras cidades e estados para morar na nossa casa, que era grande, além do Marcelo Bencardino e do Rodrigo Kowalski. Claro que o conforto não era dos melhores, mas os ideais estimulavam a todos superar os percalços.
Rifas, Churrascos, Galetos eram frequentes ações para levantarmos fundos. Os pais das atletas organizavam estes eventos. Quando viajávamos para outras cidades para disputar etapas dos campeonatos estaduais das categorias de base, as meninas eram alojadas em escolas e algumas mães cozinhavam.
Todo este engajamento foi determinante para forjar a personalidade, marcante até hoje, do BLUVOLEI: treinar e Jogar com a alma, com amor com e muita determinação. Todos davam o seu máximo, pois jogar era consequência de muita dedicação e envolvimento de toda uma comunidade. Nossos times sempre representaram valores essenciais para todos:
Amor ao voleibol e TER O HÁBITO DE NUNCA DESISTIR!
Foi uma experiência única para nós treinadores e para as atletas que estavam no processo de formação.
Luciana e eu, voltamos para São Paulo em 1997, mas o BLUVOLEI continuou a crescer pois nasceu para ser eterno na prática do esporte, que é a sua razão de ser!
Por fim! Deixo aqui meu abraço a todos. Agradeço aos amantes do voleibol que deram vida e desenvolvimento a um sonho, que há 30 anos atrás, brotou em nossos corações.
Tenho a convicção da vida eterna que espera o BLUVOLEI, pois quem nele milita
TEM O HÁBITO DE NUNCA DESISTIR!