O futuro do Voleibol brasileiro   

      

Acabo de ler, e recomendo, uma matéria escrita por João Gabriel Rodrigues — Rio de Janeiro, onde ele faz comentários sobre as participações das seleções brasileiras sub 21 e sub 19, masculinas, e sub 20 e sub 18 femininas, em seus respectivos campeonatos mundiais de 2021.

 

Além de lamentar o fraco desempenho em termos de colocações (a melhor classificação foi a da seleção feminina sub 18: um quinto lugar), o autor lamenta que desde 2015 o Brasil não vence um único campeonato sequer, das categorias de base e para ele, isso é motivo de preocupações quanto ao futuro do voleibol brasileiro.

 

Claro que são preocupações muito importantes, que devem ser levadas a sério, mas a análise, para ser conclusiva, deve ser bem ampla, pois os resultados das categorias de base não devem ser os únicos parâmetros a serem considerados quando se projeta o futuro das seleções adultas. Outros fatores devem, além deste, serem considerados, tais como:

 

1 - Estatura e aspectos ligados ao Crescimento e Desenvolvimento dos integrantes destas nossas seleções (por exemplo, especialização precoce)

 

2 - Potencialidades quanto aos aspectos relevadores de possíveis talentos para a prática do voleibol, na idade adulta.

 

3 - Tempo de prática por parte dos participantes.

 

4 - Aspectos ligados à capacitação cognitiva dos nossos jogadores

 

5 - Características do treinamento

 

Todos estes aspectos analisados de forma comparativa com os das seleções que tem obtido as melhores classificações nos campeonatos mundiais das seleções de base nos últimos anos.

 

Acreditamos que os integrantes das Comissões Técnicas de todas as seleções brasileiras, principalmente os das adultas, possuam estes dados, e façam planejamentos e projeções através deles. Seria bem interessante que, caso os tenham, que divulgassem para que todos os profissionais que atuam nas categorias preparatórias do voleibol brasileiro tivessem os parâmetros orientadores de seus trabalhos, oriundos de quem deve liderar todo o processo de formação de novos atletas de alto nível, para o voleibol brasileiro.

 

É bom lembrar que todos estes fatores acima listados, muitas vezes nos permitem afirmar que ser campeão nas categorias de base não assegura sucesso nas categorias adultas.

 

As preocupações do João Gabriel são, entretanto muito pertinentes, mas apesar da longa estiagem de títulos mundiais nas categorias de base, ainda lideramos o ranking da FIVB no masculino, e estamos em segundo lugar no feminino. Mas até quando conseguiremos nos manter? Mesmo porque, a presença de atletas mais velhos (as) nas disputas de Superliga, como tem acontecido, é bem-vinda, mas pode significar também falta de renovação à altura.

 

Aos interessados na leitura do texto original do João Gabriel Rodrigues, segue o endereço:

https://ge.globo.com/volei/noticia/analise-fracassos-em-serie-nos-mundiais-exigem-urgencia-em-mudancas-na-base-do-volei.ghtml