O que significa ser Atleta de Voleibol
(O texto a seguir refere-se ao atleta tanto masculino quanto feminino)
O voleibol é um esporte muito dependente dos aspectos coletivos - um atleta depende do outro. Cada atleta deve sentir-se como uma peça integrante de uma grande engrenagem. Deve sempre estar disponível para fazer o seu melhor em prol do time, do conjunto. Deve procurar superar-se sempre em termos de colaboração e dedicação.
Deve estar sempre vigilante para que o grupo e cada um dos colegas deem o máximo e sejam positivos. É preciso ter auto crítica, mas de forma positiva, e saber que nem sempre se acerta ou vence, mas entender os porquês de cada performance é importante para aperfeiçoar-se.
É importante conhecer as características do voleibol, pois para que um atleta seja bem sucedido, é fundamental que ele compreenda que trata-se de esporte de situação (habilidades motoras abertas) sem a possibilidade de retenção da bola. As tomadas de decisões são rapidíssimas, pois antes de tocar na bola, o atleta tem que saber o que deve fazer com ela. Antes que o colega de equipe ou um adversário faça sua ação, saber antecipar-se para estar pronto para a sua próxima intervenção.
Portanto, raciocinar sobre o jogo, ser inteligente – treinar sempre os aspectos cognitivos envolvidos nas ações do voleibol. Saber que os grandes jogadores de voleibol são os mais inteligentes pois, sempre encontram a melhor solução para cada lance, cada situação problema, e portanto, querer ser um deles.
Sugerimos, a seguir, algumas reflexões que provavelmente ajudarão os treinadores a orientarem seus atletas nos aspectos comportamentais, de modo a facilitarem o caminho deles ao sucesso.
A formação dada pelos treinadores deve levar os atletas de voleibol a: saber treinar e saber jogar.
Para quê treinar
Todo atleta sabe que treina para melhorar, mas poucos sabem quais pontos devem aperfeiçoar.
Todo atleta tem que saber o que foi buscar em cada sessão de treino. Treino não é um “passatempo”. Uma sessão de treino pode objetivar a melhoria individual da performance, ou a preparação adequada da equipe para determinadas tarefas específicas para um próximo jogo. Ao final de cada treino, o atleta deve estar cansado fisicamente, mas mentalmente realizado, com o sentimento de haver conquistado mais um degrau em direção à perfeição. Por melhor que o atleta seja, esse sentimento deve refletir a eterna insatisfação com sua capacitação de momento, ou seja, sempre querer aprender mais e aperfeiçoar-se.
Após o término do treino, o praticante deve fazer uma auto avaliação para saber se o treino lhe foi útil e produtivo, se os objetivos foram alcançados e preparar-se para o próximo.
A atitude correta em relação aos treinos passa pela consciência da interdependência entre treinamento técnico, tático e físico. É importante saber que um bom condicionamento físico otimiza a produtividade técnica e tática, e a recíproca também é verdadeira, pois atletas com eficácia nas ações técnicas e táticas, de modo que sejam otimizadas, normalmente economizam energia.
O reconhecimento do seu real potencial com base numa honesta auto crítica, facilita ao atleta saber o que buscar em cada treino, procurando melhorar seus pontos fortes e minimizar suas fraquezas, sem negligenciar a importância dos aspectos cognitivos envolvidos em suas atuações.
A busca da superação do seu limite de momento deve ser uma constante no cotidiano dos atletas. O que significa isso? Na verdade, trata-se de ser perseverante, suportar fadiga e dor, superar e absorver erros e fracassos. O sair da sua zona de conforto na busca de um novo patamar de realização, deve ser algo natural para quem treina e compete. Treinar os aspectos volitivos aumenta a chance de vitórias! O jogador deve aproveitar os momentos de estresse para praticar o autocontrole, tão necessário nos instantes cruciais que serão encontrados ao longo das competições. A resiliência deve ser algo natural, ou seja, pertinente à condição de ser atleta.
É esperado que os atletas possuam uma preparação mental para os treinos e jogos. As instruções e recomendações dos treinadores, e os conselhos de atletas mais experientes devem ser aproveitados de forma consciente.
Saber Jogar
É famosa a frase: “Jogo é jogo e treino é treino”!
Nem todo atleta consegue produzir nos jogos aquilo que produz nos treinos.
Para ter maiores chances de realizar seu máximo nas partidas, o atleta precisa preparar-se para o jogo, entendendo que o jogo inicia-se 2 ou 3 horas antes do primeiro saque. Concentração, alimentação e relembrar as suas atribuições táticas recomendadas e treinadas pelo treinador, deve fazer parte de um ritual próprio de cada um.
Vamos destacar alguns aspectos comportamentais esperados de cada atleta inclusive nos momentos que antecedem o início de cada partida, para que ele saiba como se preparar para jogar:
a) Na preleção: concentração e atitudes positivas. Mostrar-se à disposição do grupo e disposto para a batalha! Titular ou reserva, mostrar para a o treinador e companheiros, estar pronto e confiante.
b) No aquecimento físico: realizar a rotina estabelecida pela comissão técnica e ir repassando mentalmente suas tarefas naquela partida.
c) No aquecimento com bola, no trabalho 2X2: auxiliar o companheiro principalmente se ele for tecnicamente inferior ou menos experiente.
d) No aquecimento de rede: realizar os ajustes de tempo de bolas e lembrar que uma performance boa nesse momento, poderá intimidar o adversário. Sentir os companheiros, os adversários, torcidas etc. Caso perceba algum colega com insegurança, o atleta deve procurar delicadamente orientá-lo e estimulá-lo. O aquecimento deve ir aumentando de intensidade e precisão dos gestos, de forma que no primeiro rali da partida o atleta esteja 100% pronto.
e) “O GRITO DE GUERA”! Ao darem-se as mãos o atleta deve olhar nos olhos de seus companheiros e ver que ali estão seus parceiros de luta, aliados que ele pode confiar e que lhe ajudarão. Deve demonstrar reciprocidade. O grito tem que vir de “dentro”! Deve refletir a UNIÃO DE UM GRUPO INDISSOLÚVEL. Um grupo confiante e perseverante. Pronto para dar o seu melhor.
f) Atuação no jogo: o atleta deve sentir “em casa”, à vontade! Ele está fazendo o que gosta, o que ama! Ele se preparou para aquele momento e deve desfrutar ao máximo os momentos desafiadores que se apresentarão.
É fundamental que as atuações de cada um sejam coerentes com o plano de jogo traçado pelo treinador. Pensar e avaliar cada lance (seu) e dos outras atletas deve ser uma constante, do início ao término da partida. Ser positivo consigo e companheiros. Estar preparado para erros e acertos é parte integrante da formação de um bom atleta. Nos jogos difíceis a resiliência mais uma vez, deve ser sua aliada. Nas adversidades jamais demostrar instabilidade emocional para os companheiros, e menos ainda para os adversários e torcedores. A manutenção constante de uma postura que demostre confiança, perante os adversários e adversidades é um ótimo caminho para atuações vitoriosas. Mostrar-se positivo e confiante nos momentos cruciais do jogo, muitas vezes entusiasma o próprio atleta e sua equipe, além de poder minar a confiança dos adversários.
Durante toda a partida, fácil ou difícil, somente a manutenção da concentração, do autocontrole e da lucidez, permitirão ao atleta dar o seu melhor em prol da planificação tática planejada. Acreditar sempre em si e em seus companheiros de time facilitará a obtenção de sua melhor performance.
g) O Pós jogo: depois de terminada a partida é importante para a imagem de cada atleta, tanto após vitórias ou derrotas, mostrar-se respeitoso com os componentes da equipe adversária.
É comum, após o término das partidas, as comissões técnicas se reunirem com seus atletas para fazerem uma breve resenha do jogo. Os atletas devem estar atentos para aproveitar as avaliações, por mais breves que elas sejam, pois sempre serão leis para jogos e treinos futuros.
Horas depois do encerramento do jogo, com banho tomado e alimentação adequada realizada, e em um ambiente tranquilo, é recomendável que o atleta faça uma avaliação de sua atuação, e relembre suas tomadas de decisões em lances importantes. Essa reflexão, com certeza trará um enriquecimento na memória motora do jogador e o tornará mais apto para ter sucesso em tomadas de decisões futuras, quando situações de jogo semelhantes se apresentarem.
“Distante dos jogos”
Também colabora com o aperfeiçoamento dos jogadores de voleibol terem atitudes adequadas quando assistem jogos de equipes que não sejam a suas. Assistir com olhos profissionais e críticos, pois avaliar as intervenções de outros atletas pode servir de um processo muito válido de aprendizado.
Será produtivo manter sempre um bom diálogo com técnicos e assistentes, para que indiquem os melhores caminhos para o seu desenvolvimento pessoal como atleta.
Enfim, o jogador de voleibol, necessita ter filosofia de vida voltada para a sua atividade profissional, de maneira a estar em constante evolução e aperfeiçoamento.