Recepção de Saques: Alguns Aspectos Metodológicos do seu Treinamento
João Crisóstomo Marcondes Bojikian, Luciana Perez Bojikian e Ari Rabello
No estudo anterior, “Adaptações na recepção em função da imprevisibilidade do saque”, vimos como as variações criadas pelos sacadores têm criado dificuldades para os atletas responsáveis pelas recepções, e consequentemente, para que os sideouts tenham sucesso.
Naquele estudo também analisamos como deve ser, em linhas gerais, o treinamento técnico para a recepção de saque, bem como sugerimos algumas soluções táticas.
Este estudo, realizado em parceria com o Prof. Ari Rabello, pretende trazer novas recomendações para o treinamento técnico, e da tática coletiva e da individual, para aumentar a eficácia da recepção de saque.
A proposta de trabalho para o melhor desempenho do seu passador nos jogos, e assim dar segurança à sua equipe no sideout, passa pelas respostas aos seguintes questionamentos:
Esta imagem (fig. 1) mostra os tipos de saques mais utilizados atualmente e com os quais os jogadores têm procurado, não só explorar as dificuldades conhecidas dos receptores adversários, como também os surpreender.
Uma vez mapeadas as virtudes e as deficiências dos passadores da nossa equipe (fig2), podemos antever as possíveis táticas que serão utilizadas pelos sacadores adversários, nos preparar para elas e utilizar alguns artifícios para também os surpreender. Alterar o posicionamento usual na quadra dos passadores (mais à direita ou esquerda, mais à frente ou atrás) pode gerar insegurança nos sacadores adversários. Espaçar ou agrupar mais os atletas responsáveis pela linha de passe também deve causar desconforto aos sacadores oponentes.
A mudança de posicionamento dos passadores após o lançamento da bola por parte do sacador adversário, também tem sido uma estratégia que cria imprevisibilidade a ele.
Os treinadores têm dividido a quadra em muitas regiões (até 36, como na Fig 2) na tentativa de facilitar seus treinamentos tanto dos saques como da recepção. Isso facilita o entendimento das instruções dadas por eles aos seus comandados, tanto nos treinos quanto nas partidas. Essas divisões também são utilizadas para identificação dos pontos fortes ou fracos de seus atletas, suas equipes e times adversários, para efeito de elaborações de planos de treino e de jogo.
Todas as abordagens acima trazidas, nos fazem voltar à tendência das estratégias atuais do voleibol, na busca da imprevisibilidade. Se os estudos estatísticos escancaram as potencialidades das equipes e atletas no saque e na recepção, somente terá sucesso o treinador que conseguir fazer com seus atletas utilizem seus pensamentos convergentes como uma base rica para o divergente ou seja, além de saber o que fazer, devem fazê-lo com criatividade, de maneira a possuir tática individual para solucionar os novos problemas propostos pelos adversários.
Portanto, como já vimos em estudo anterior, o treinamento técnico para recepcionar os diferentes tipos de saque, é a base para obtenção da eficácia nesse fundamento. E como já vimos em textos anteriores, esse treinamento não será eficiente caso esteja desacompanhado dos aspectos cognitivos inerentes a ele.
O treinamento da recepção no voleibol de hoje, pede, portanto, que para cada partida, sejam aperfeiçoados o aprimoramento dos processos perceptivos, alicerçados pelos levantamentos estatísticos disponíveis. 0 reconhecimento, identificação, discriminação, codificação de sinais relevantes, a otimização do conhecimento tático, e o aumento da precisão das ações táticas também são imprescindíveis. Cada situação inusitada criada pelo adversário, pede uma nova tomada de decisão (Fig.3)!
Cientes que os treinadores adversários tentarão facilitar as ações defensivas das equipes deles através da utilização tática do saque, para fragilizar as possibilidades de ataque nos sideouts, muitos técnicos procuram modificar constantemente a configuração das linhas de passe de suas equipes. Além disso são vistas muitas inovações de levantamentos e ataque com diferentes tipos de passe (A, B, ou C). Em outras palavras, as equipes têm táticas ensaiadas mesmo quando o saque adversário cause danos às suas recepções (Fig.4).
É importante que lembremos que este estudo é uma continuidade do anterior, cujo título está acima. O entendimento pleno do assunto solicita que ambos sejam analisados.
Leia e nos envie seus comentários. Abraços.
Adaptações na recepção em função da imprevisibilidade do saque
Nas disputas atuais do voleibol de alto nível, é inegável a importância da boa utilização do saque como forma de impedir o sucesso dos sideouts das equipes adversárias.
Nos últimos tempos, o aumento da potência dos saques, tem acompanhado o aumento da estatura dos atletas e a evolução da preparação física, técnica e tática. Os sacadores pegam a bola cada vez mais alto e com mais força rápida. A constante utilização do saque potente teve como resposta, uma adaptação da capacidade de recepção a ele, por parte dos atletas responsáveis. Como o nosso esporte está em constante evolução, passou-se, então, a utilizar uma maior variedade de saques, para criar dificuldades para as linhas de passe adversárias.
É comum vermos o saque viagem, com velocidade ou fraco, buscando a zona de ataque da equipe adversária. O saque flutuante também passou ser bastante utilizado: veloz, visando o fundo da quadra, ou sem força, morrendo antes do posicionamento da linha de recepção, ou curto na zona de ataque. Por incrível que possa parecer, já se vê atletas sacando “chapado”, fazendo com que a bola, ao passar rente ao bordo superior da rede, tenha grande chance de raspar nela, caindo junto à rede no lado adversário.
Para criar mais surpresas à recepção adversária, foi criado o saque híbrido, onde o atleta lança a bola e salta como se fosse realizar um saque viagem com rotação, mas no último instante realiza o flutuante. O contrário também tem sido utilizado, com lançamento da bola e salto do saque flutuante, e aplicando um viagem com rotação.
Outra novidade é o saque com finta de gesto, ou seja, o atleta salta de frente para uma posição da quadra adversária, e mudando a direção do movimento do braço, saca para outra posição (ex: sobe de frente para a posição 5 da quadra adversária e direciona o saque para a 1). Outra estratégia utilizada em nossos dias é a alternância de posição do fundo da quadra em que cada atleta se posiciona para sacar. É também observado atualmente, que mesmo sacando com violência, muitos atletas conseguem direcionar os saques com eficiência.
Na partida disputada entre Brasil e Itália na VNL (03/07/2023), a equipe brasileira fez três pontos de saque, enquanto a italiana conseguiu quatorze. Ficou nítido que o nosso time priorizou o saque com potência, enquanto seu adversário valorizou muito as variações.
Como a seleção norte-americana feminina já havia mostrado na Olimpíada de Tóquio, a tendência é criar imprevisibilidade para o adversário ao se sacar. É importante lembrarmos que as equipes entram em todas as partidas tendo estudado exaustivamente as características dos seus adversários, graças aos vídeos que são inúmeras vezes mostrados e destrinchados. Fica claro portanto, que uma equipe que possua atletas que dominem várias técnicas de saque, e com competência para variar suas estratégias, terá mais chances de surpreender as linhas de recepção adversárias.
Sabe-se também que se uma equipe só treina e utiliza basicamente um tipo de saque, terá dificuldades para recepcionar saques diferentes daquele que mais utiliza. Os seus atletas, ao treinarem entre si, vão aumentando sua capacidade de passar aquele tipo de saque, mas muito provavelmente terão dificuldades com os outros modelos.
A eficácia de saques evoluiu muito, entretanto, ainda falta muito para que se atinja a regularidade, principalmente após uma solicitação de tempo pela equipe adversária, e nos finais dos sets e partidas, em momentos decisivos. Parece que a responsabilidade de se sacar nesses momentos faz com que os atletas percam a confiança e a capacidade de encontrar a melhor estratégia para aquele instante. Nessas horas os erros ainda são muito comuns. Talvez uma melhoria da condição psicológica e o treinamento em situações de pressão possam melhorar esse aspecto. Claro que orientações adequadas dos treinadores, à beira da quadra, também auxiliam bastante.
O saque foi durante muito tempo classificado como uma habilidade motora fechada. Com a utilização crescente das técnicas para a sua execução com salto, ela se torna menos fechada e mais aberta. Nem sempre o sacador consegue um lançamento preciso e tem que fazer ajustes no salto para ter sucesso. Muitas vezes os ajustes ocorrem quando da realização das variações do saque híbrido e aquele com finta de gestos.
Impulsão, potência de toda a musculatura do corpo, coordenação viso-motora, equilíbrios (estático, dinâmico e recuperado), força de perna para amortecer a queda, capacidade de organização e complexidade, devem ser bem treinados para que o treinamento técnico e tático do saque surta bons efeitos.
Se a qualidade dos saques tem melhorado muito, a capacidade de se contrapor a isso tem sido uma preocupação crescente por parte das grandes equipes. Afinal, permitir que o adversário conquiste o ponto no rali em tenha sacado, é ir contra a natureza das disputas do jogo, pois no voleibol, o ataque tem uma superioridade significativa sobre a defesa. Não ter sucesso nos sideouts é aumentar, em muito, as chances de derrota de uma equipe.
Ao preparar a recepção de saque de uma equipe para enfrentar a imprevisibilidade criada por sacadores adversários, não se pode treinar utilizando-se apenas um tipo de saque, mas sim todos aqueles que hoje são mais comuns nas partidas.
A capacitação deve ser obtida obedecendo-se os caminhos indicados pela metodologia do treinamento. O treinamento técnico para se obter a capacidade de recepcionar cada um dos diferentes tipos de saque é um bom início, mas está longe de deixar os atletas prontos para serem bem-sucedidos na missão de receber bem as variações deles, que ocorrem nas partidas.
Como nos tempos atuais, o sacador não mostra antecipadamente a estratégia que pretende adotar, cabe ao receptor ter a capacidade de leitura, ao analisar o gesto do oponente. Desencadeia-se então a antecipação e a tomada decisão sobre o que fazer e como fazer: análise da trajetória da bola, deslocamento necessário, velocidade de aceleração adequada para se posicionar bem e a tempo, posicionamento adequado, a utilização da técnica mais viável e o envio da bola para o local esperado, bem como com a trajetória desejada.
Para que se obtenha boas performances na recepção, o treinamento deve contemplar, depois da aquisição das técnicas adequadas para cada tipo de saque, variações aleatórias dos mesmos, como forma de criar dúvidas no atleta que os recebe, pois somente assim se desenvolverá a capacidade de tomadas de decisões, como a descrita acima.
Força de partida, velocidade de aceleração e os equilíbrios, trabalhados na preparação física com especificidades, tornarão os atletas mais competentes para executar todas as ações necessárias para uma recepção precisa. Concentração, autoconfiança, resiliência e o reconhecimento da estratégia estabelecida para o sideout em questão, devem fazer parte da preparação psicológica desenvolvida não apenas por profissionais dessa área, mas principalmente pelos treinadores, ao proporem treinos técnicos e táticos que exijam soluções aos mecanismos de pressão semelhantes aos que serão encontrados nas partidas. Ao ser aplicado um exercício deve-se, portanto, inserir adaptações às exigências de tempo, de precisão, de organização, de complexidade, variabilidade e cargas psíquica e física. Tudo com as especificidades próprias às possíveis variações que os adversários poderão criar, para as suas formações para a recepção de saques.
Tem se tornado recorrente, por parte dos clubes e seleções, a utilização do canhão de saques - máquina que dispara bolas, substituindo um sacador. Por mais que a regulagem do aparelho permita a escolha do tipo de trajetória, seu uso será útil apenas para o treinamento técnico da recepção, pois não propiciara a visualização real do gesto de um atleta sacando, que é o que permite a leitura e a consequente tomada de decisão dos passadores. O desenvolvimento da tática individual, e consequentemente da coletiva, relativas à recepção, estarão prejudicadas com o uso exclusivo do canhão.
O aumento da potência dos saques, acompanhado de variações técnicas e estratégicas, tem mostrado que as exigências técnicas, táticas, físicas e mentais das ações necessárias para a recepção de saque, se aproximam cada vez mais daquelas exigidas aos fundamentos de defesa. Não é incomum, por exemplo, atletas realizarem mergulhos ou rolamentos para realizarem um passe, coisa raríssima há algum tempo.
A imprevisibilidade procurada pelos sacadores do voleibol atual trouxe adaptações também na tática coletiva do jogo. Em uma mesma partida se nota mudanças no posicionamento da linha de passe de uma mesma equipe. Ora mais perto zona de ataque, ora mais perto da linha de fundo, às vezes mais aberta, depois mais fechada.
Jogadores que até pouco tempo atrás não passavam, hoje têm as suas responsabilidades na recepção. É o caso dos centrais que passam o saque curto e os opostos que muitas vezes são solicitados para compor uma linha de quatro passadores para fazer frente aos saques imprevisíveis dos adversários. Foi-se o tempo em que o oposto não precisava saber realizar manchete. Talvez, em breve, tenhamos a volta do jogador universal, como nas velhas montagens do sistema de ataque 5x1. As equipes, sempre que podem, modificam as configurações de suas linhas de passe, para trazer insegurança aos sacadores oponentes.
Mas a mais surpreendente das inovações das táticas para a recepção de saque é a participação dos levantadores! Quem diria! Os levantadores participando da linha de passe! Ao se posicionarem para o sideout de suas equipes, alguns levantadores não se posicionam junto à rede para receber os passes para prepararem os ataques de seus companheiros. Antes da bola sacada cruzar a rede, eles ficam na zona de ataque, a uma distância de aproximadamente dois metros da rede, para recepcionarem aquelas que tocam nela e caiam próximos a si. Quando isso ocorre o levantamento é feito pelo líbero. Quando percebem que ela não raspará no bordo da rede se deslocam para o ponto adequado para atuar, junto a rede. Ou mesmo em saques curtos, menos potentes, alguns já recepcionam o saque e têm arriscado um levantamento de segunda bola.
Este estudo procurou mostrar o quanto o voleibol é dinâmico e o quanto os treinadores precisam ser atentos e estudiosos para inovar e encontrar soluções para se contrapor às novidades criadas por outros técnicos, tão atentos e estudiosos como ele. Também foi intenção deste trabalho, mostrar que por mais que os vídeos tentem preparar os atletas, antes das partidas, para que as possíveis imprevisibilidades buscadas pelos adversários sejam minimizadas, isso somente será realmente obtido com aumento da capacidade das tomadas de decisões dos jogadores. Portanto cabe a nós, treinadores, nos preocuparmos em propor sempre aos atletas, atividades que exijam desafios e uma boa relação entre cognição e ação.
Ao ler este nosso estudo, faça uma análise dos seus conteúdos e nos envie as suas sugestões para que todos nós possamos continuar a aprender sempre.
Grande abraço
O treinador de voleibol moderno: um artista eternamente insatisfeito com a sua obra.
O voleibol atual de alto nível exige que os seus treinadores apresentem não somente conhecimentos sobre as técnicas, as táticas, montagem e direção de equipes, além do planejamento de seus treinamentos, mas muita dose de comprometimento, audácia, altruísmo e criatividade.
Quem acompanha os jogos das Superligas de Voleibol – masculina e feminina- brasileiras, verá que todas as equipes jogam com o mesmo sistema de ataque (5X1) e com os demais tópicos táticos muito semelhantes. Fica então a indagação de como todos os treinadores podem usar estratégias iguais, dispondo de recursos humanos tão diferentes?
A questão acima formulada nos leva a refletir não só sobre a formação dos treinadores de voleibol no que se refere especificamente ao seu aspecto técnico, mas também em relação ao seu aspecto cognitivo e postural perante as exigências do desenvolvimento de suas carreiras. Acreditamos que um grande treinador deve sim, se esmerar em ter uma formação profissional inerente às suas funções, mas deve ter consciência que isso implica também em ser criativo, inovador e corajoso.
Amar o voleibol é a razão principal que leva alguém a se tornar um treinador da modalidade. Quando esse amor leva ao “casamento”, é importante lembrar que este envolvimento trará momentos bons e outros nem tanto. Isso quer dizer que no exercício da profissão, existirão momentos muito prazerosos e outros que nos obrigarão a sair de nossa zona de conforto. Estudar, pesquisar, identificar tendências, buscar novos caminhos e soluções, muitas vezes são ações importantes e trabalhosas e que, às vezes, nos obrigam a reconhecer que as nossas convicções não eram tão acertadas e devem ser alteradas, o que implica em que novas soluções precisam ser pensadas.
É lugar comum se dizer que os jogadores de voleibol devem possuir boa tática individual, ou seja, saber o que fazer e como fazer, em suas tomadas de decisão em todas as suas intervenções em uma partida. Portanto, assim como o treinador por meio das tarefas que propõe aos seus atletas, procura desenvolver neles o pensamento convergente e o divergente, ele deve obter meios de desenvolver em si próprio, também tais formas de raciocínio, para poder bem desenvolver as suas atividades profissionais.
João Guimarães Rosa nos ensina, em seu Grande Sertões Veredas, que o ser humano está em constante desenvolvimento e aperfeiçoamento. Acreditamos que o mesmo deva ocorrer com treinador de voleibol. Estudar, trocar informações e conhecimentos com outros treinadores, identificar soluções técnicas e táticas inovadoras, e novas metodologias de treinamento, trarão ao profissional da nossa área um aperfeiçoamento do seu pensamento convergente.
Entretanto, é imperioso que se tenha noção, que o treinador que alargue apenas seu pensamento convergente, tende a fazer o mesmo que os demais fazem, ou seja, reproduzir modelos de treinamentos e armações táticas de outras equipes, nas suas. Conhecer o que o mundo faz, comumente nos traz a sensação de estarmos prontos e no auge da nossa capacitação profissional. Mas as tendências do voleibol estarão em conformidade com as características e potencialidades dos nossos atletas e equipes?
Quando um treinador planeja seu trabalho, ele deve partir sempre alicerçado por levantamentos de dados. Características de cada um de seus atletas, suas potencialidades, e como elas podem se relacionar, interagir e interferirem entre si na busca de uma estruturação estratégica que reflita o provável rendimento coletivo máximo possível. Além da configuração estratégica da montagem de sua equipe, os levantamentos estatísticos também deverão permitir a projeção futura das variações táticas, que serão possíveis e necessárias, para as partidas que virão contra adversários com diferentes configurações.
Temos então a importância, para o treinador, da busca de soluções que visem tornar a sua equipe possuidora de um diferencial estratégico e tático próprio, de modo a criar dificuldades e surpresas para os adversários. É onde o pensamento divergente torna-se determinante, pois permitirá que os conhecimentos advindos do convergente sejam utilizados com criatividade na busca de soluções únicas e inovadoras.
O treinador de voleibol que tenha ciência que a busca constante de dados sobre a sua equipe, confrontada com as tendências do modo de jogar em alto nível, procurando saber as razões de ser das mesmas, terá meios para a busca de novos caminhos. Esse procedimento propiciará sempre um crescimento na sua capacidade profissional, pois como diz Lucas Teles “Os pensamentos divergentes e convergentes são um ciclo que se retroalimenta tornando ambas as linhas de pensamento necessárias para um bom processo de solução de problemas”.
Em outras palavras, as colocações acima visam deixar claro que um treinador nunca deve entrar na cômoda posição de se sentir um produto final terminado, que não precisa de retoques e aperfeiçoamento. Elas também mostram a importância do técnico de voleibol se sentir sempre inquieto e inconformado com suas conquistas e estágio profissional. Conhecer os caminhos momentâneos deve estimulá-lo na busca de caminhos que o tornem, também, um pioneiro no processo de aperfeiçoamento do jogar voleibol.
Um treinador de voleibol moderno sabe que a IMPREVISIBILDADE é a busca mais valiosa para a sua prática nos tempos atuais. Os programas de levantamentos estatísticos buscam fornecer dados, para que as ações inseridas nas estratégias das montagens das equipes, nas táticas utilizadas em cada jogo, e que as ações individuais de cada atleta, se tornem mais previsíveis. Em uma análise superficial, essa constatação talvez possa nos levar a crer, que serão mais fáceis as tarefas do treinador para planejar, treinar, armar e dirigir equipes.
Entretanto, se os levantamentos estatísticos tornam tudo previsível no voleibol, qual passa a ser o papel de um treinador em uma equipe? Voltamos então aos pensamentos convergente e divergente, pois, de posse de dados estatísticos o treinador deve, então, procurar soluções que surpreendam seus adversários superando as expectativas deles com a imprevisibilidade que seus atletas e sua equipe apresentarão em suas ações.
Claro que isso faz com que a carreira do treinador de voleibol, que sonha ser bem-sucedido, seja um constante desafio, um constante inquietar na busca do aperfeiçoamento e um comprometimento eterno.
Não se sentir perfeito, e na sua capacitação máxima, deve fazer com que nós treinadores, lembremos sempre dos ensinamentos de Pedro Bojikian, quando ele sugere caminhos para a longevidade de um profissional na vanguarda de sua área de atuação (que em nosso caso transferimos para a formação de treinadores de Voleibol): “requer formulação de hipóteses e aprendizado constante, além de permanentemente desafiar suas suposições”.
Com este pequeno estudo sobre alguns aspectos comportamentais dos treinadores de voleibol, concluímos que a ousadia e a criatividade não asseguram o sucesso, mas a passividade e conformidade, com certeza, garantem o fracasso.
O atleta de voleibol protagonista: o papel da competição no processo de formação
Michael Jordan, LeBron James, Kobe Bryan, Larry Bird, Stephen Curry, Joel Despaigne, Andrea Zorzi, Moreno, Aderval, Xandó, Willian, Jacqueline Silva, Isabel, Ana Mozer, Fernanda, Fofão, Ana Flávia, Giba, Ricardinho, Sheila e Gamova! O que estes atletas do basquetebol e do voleibol têm em comum, para que sejam protagonistas e façam a diferença?
O renomado preparador físico norte-americano Vern Gambetta (2007) diz em sua obra Athletic Development: The Art & Science of Functional Sports Conditioning, que na NBA jogam os melhores jogadores do mundo do basquetebol, entretanto, neste universo seleto de atletas, apenas de 2 a 3% deles fazem a diferença, ou seja, determinam na maioria dos jogos, as vitórias de suas equipes. São os atletas protagonistas! Aqueles que são decisivos! Os que nos momentos cruciais das partidas são requisitados e assumem as responsabilidades! Esses atletas tiram o sono dos treinadores adversários e são os que atraem grandes públicos aos eventos esportivos.
Os atletas protagonistas muitas vezes não se diferenciam por ter uma técnica mais apurada que os demais, mas sim por terem eficácia acima daqueles nas situações mais difíceis e decisivas. A técnica, a inteligência, a criatividade, o autocontrole a serviço da boa resolução de situações problemas os caracterizam! Ao atuarem nestas situações, estes seres diferenciados parecem mostrar que têm o prazer em ali estar. São os grandes atores dos melhores espetáculos!
Este preâmbulo nos leva às seguintes questões: poderá o atleta protagonista, como foi acima definido, ser formado através de treinamentos e atuações competitivas nas categorias base? Será que esse atleta possui algo de genético que faz com que ele seja um privilegiado? Ou será que ambas as coisas na verdade se complementam?
Também é de nosso interesse tentar saber se para um atleta de tal magnitude, a sua capacidade cognitiva é mais importante que a motora, se é o contrário, ou se são fatores interdependentes.
Por fim, tentaremos buscar respostas para as dúvidas tão frequentes, quanto aos procedimentos mais adequados para a gestão do desenvolvimento das carreiras de atletas que despontam ao protagonismo.
Esse é um assunto muito recorrente em nosso esporte! Recentemente vimos surgir um novo talento para o voleibol feminino do Brasil, uma provável protagonista no futuro. Ana Cristina, de 17 anos, é o nosso exemplo. Esteve atuando com a seleção brasileira adulta na Liga das Nações, nas Olimpíadas de Tóquio. Logo após estes dois torneios, aconteceu quase que simultaneamente o Campeonato Sul-americano e o mundial sub 18 feminino, onde ela não esteve presente por opção da Comissão Técnica da nossa seleção. Este estudo foi motivado por essa decisão, para efeitos investigativos e não para fins de críticas a quem quer que seja!
Este fato, para efeito de estudo, nos leva a indagar: para a formação de uma atleta protagonista, não é importante que ela defenda o seu país nas seleções de sua faixa etária, onde ela seria tratada, pelas suas colegas e adversárias, como tal? Não é importante para uma atleta, em processo de formação, sentir a responsabilidade de ser a jogadora decisiva em jogos de sua idade? Ou para a sua formação é mais indicado ela ser tratada como um diamante em processo de lapidação, só jogar na equipe adulta e, portanto, seus sucessos serem enaltecidos e os erros minimizados, em função da baixa idade?
O que acontece na prática é que ela como integrante de uma equipe adulta, mais experiente, normalmente só participa do jogo durante 2 ou 3 pontos e com o set já definido. Ao passo que se estiver jogando na sua categoria, vai atuar muito mais, em mais sets, mais jogos, em que vai passar pelas situações de decisão, quando a equipe está perdendo, quando a equipe está ganhando, além de poder exercer um papel de liderança em quadra e fora dela.
As respostas às indagações feitas acima, merecem uma investigação bastante apurada, pois a práxis tem mostrado atletas de primeira linha com históricos bem distintos.
Enquanto países bem-sucedidos no voleibol internacional tais como: Rússia, França, Itália e Brasil, usualmente já utilizam suas “promessas” nas disputas de equipes adultas, os USA preferem que os participantes da NBA, no caso do basquete, e dos campeonatos Universitários de Voleibol (os mais importantes do basquete e do voleibol, respectivamente da América do norte) concluam antes as suas atuações nas competições colegiais.
O primeiro dado, que nos parece interessante para que possamos tentar responder as nossas dúvidas, é relativo às características que devem possuir os atletas em formação, para que sejam classificados como um talento para a prática do voleibol e, por consequência, ser um candidato a atleta protagonista. Em termos físicos é considerado importante que os jogadores possuam indicativos de que atingirão estatura final elevada (à exceção daqueles que serão preparados como líberos), biotipo longilíneo e tenham como características mais marcantes a linearidade e a ectomorfia. A aptidão física deve contemplar força explosiva, velocidade de aceleração e de ações, e agilidade, bem como os indicativos que as capacidades coordenativas estarão presentes, para que as habilidades motoras do voleibol sejam aplicadas com requintes nas suas tomadas de decisões.
Bojikian e Bojikian (2011) destacam que, para identificação dos possíveis talentos para a prática do voleibol: “as diferenças não se encontram apenas nas medidas antropométricas e capacidades motoras, mas também nas capacidades psicológicas e cognitivas”. Estas observações nos lembram que os praticantes do voleibol necessitam sempre, ao buscar as melhores soluções em suas intervenções, relacionar cognição e ação, e que as diferentes funções táticas do voleibol (central, ponteiro, levantador, oposto, líbero) requisitam características cognitivas e psicológicas diferenciadas.
Dantas e Manuel (2005) nos lembram também que o inverso também é presente, pois não raramente um atleta muito inteligente e criativo, encontra uma solução para finalizar com sucesso uma ação, mas fracassa por não possuir a técnica mais adequada para tal fim. Isso nos mostra que os aspectos motores e cognitivos são interdependentes na tática individual.
Pelo visto, até este ponto, é primordial ao futuro atleta protagonista a obtenção tanto de boas técnicas para a execução das habilidades motoras do voleibol, como uma capacidade cognitiva capaz de utilizá-las de uma forma precisa e otimizada. Não é incomum, ao longo do processo de desenvolvimento das categorias preparatórias, os treinadores terem uma boa ideia dos atletas que possuem potencialidades para se destacar na idade adulta. Entretanto, o problema está em como conduzir todo o processo de formação para que as previsões positivas se concretizem.
Milistedt, Collet e Vieira (2013) ao desenvolverem um estudo sobre a formação de expertise esportiva, nos lembram que “Quando se trata da formação esportiva dos mais jovens, é necessário que os elementos constituintes do esporte sejam abordados de forma pedagógica e condizentes com o seu processo de desenvolvimento”. Isso impõe que todas as tarefas e exigências propostas aos jogadores em formação, tanto por treinos como por jogos, sejam compatíveis com os seus estágios motores e cognitivos.
O voleibol sendo um esporte de habilidades motoras abertas, solicita por parte dos praticantes, constantes tomadas de decisões e, como já vimos, só serão bem realizadas com boa interrelação entre capacitação técnica e cognitiva. Quem acompanha o nosso esporte sabe que quanto mais próxima da categoria adulta, mais os mecanismos e pressão (tempo, complexidade, organização, precisão, carga física e psicológica) se farão presentes e, vão sendo exigidas tomadas de decisões cada vez mais rápidas, inteligentes e criativas.
A adolescência é a fase de maior neuroplasticidade no período da vida (Andrade et al., 2018). Giedd (2013) aponta que a plasticidade do sistema nervoso depende da maturação do mesmo e é no córtex pré-frontal, que coordena o pensamento executivo, que acontecem grandes mudanças na “habilidade de usar a lógica, tomar decisões e avaliar possíveis riscos”.
Por volta dos 15 anos o amadurecimento do córtex pré-frontal permitirá o surgimento de novas habilidades cognitivas e o controle de impulsos.
O córtex pré-frontal continua sua maturação até quando a pessoa chega aos até aos 25/26 anos nas mulheres e 28/30 anos nos homens.
A execução de movimentos especializados e complexos, tanto quanto a organização e raciocínio na tomada de decisão, também dependem da mielinização da área pré-frontal que só irá estar completa por volta dos 18 anos. A mielinização dos neurônios também está ligada à ação dos hormônios gonadais.
Também ocorre nesse período uma reorganização das estruturas corticais e a eliminação de sinapses que não são utilizadas para que outras se tornem mais estáveis.
Convém lembrar que o processo de maturação é individual, e está ligado à produção do sistema endócrino. Vamos encontrar jovens da mesma idade cronológica, porém em estágios de desenvolvimento maturacional distintos. Essa diferença entre a idade cronológica e biológica pode chegar a 3 anos em média. Sempre lembrando que nas meninas a puberdade costuma chegar dois anos mais cedo que nos meninos. Dado que é comum, que atletas de destaque no voleibol sejam maturadores tardios, maior será o cuidado necessário. Essa é uma questão que não pode ser desconsiderada no planejamento do treinamento e definição dos objetivos para cada atleta envolvida no processo.
Portanto, o presente ensaio nos faz pensar se uma atleta de 18 anos está pronta para jogar voleibol em uma olimpíada, e ainda, se essa participação é benéfica para a sua formação como atleta protagonista.
Sobre o assunto, Markunas (2003) é enfática ao afirmar que as categorias de base devem formar vencedores, através de práticas que levem ao prazer, à satisfação, à realização e ao desenvolvimento. A autora reforça ainda que o jovem precisa esforçar-se na busca do rendimento com alegria e engajamento, e não baseado pela busca do rendimento vislumbrando o profissionalismo. E ainda completa salientando os perigos de uma especialização precoce, estimuladas pelo cotidiano dos treinamentos por participações de competições de adultos, fatores que aumentam as chances de estresse, abandono precoce da carreira e burnout.
Considerações finais
Todo treinador de atletas em categorias de base sonha em formar atletas protagonistas, que se destaquem e construam carreiras de sucesso. O processo de formação dos atletas é de fundamental importância nessa construção. Todos os que atuam ou atuaram na prática dessa formação reconhecem que se trata de um processo complexo e dinâmico.
Não há como negar que alguns aspectos genéticos são fundamentais no voleibol, com a estatura e aptidão física assumindo grande destaque, mas a condução do treinamento, a quantidade de treinamento, e principalmente a qualidade, serão primordiais. O treinador de jovens deve ter total atenção aos aspectos individuais de seus atletas e o monitoramento do crescimento e desenvolvimento, deve ser constante.
Respeitar as etapas e encarar a formação como um processo, que seguirá até a idade adulta, e saber quanto e quando cobrar resultados, é essencial.
Também nunca deve ser esquecido que as participações dos atletas das categorias de base em competições, são fundamentais para sua formação plena, portanto, devem ser planejadas de forma a atender as individualidades e organizadas com muita atenção, responsabilidade e competência por parte de seus treinadores. Participar ou não de competições acima de sua categoria, e como se dará essa participação, devem ser decisões sempre calcadas em bases científicas.
Andrade ALM, Bedendo A, Enumo SRF, Micheli D. Desenvolvimento cerebral na adolescência: aspectos gerais e atualização. Adolesc. Saude, Rio de Janeiro, v. 15, supl. 1, p. 62-67, dezembro 2018.
Bojikian JCM, Bojikian LP. Voleibol. In: Bohme MTS, Esporte Infantojuvenil. Cap 13, p.293-321, S: Phorte, 2011.
Gambeta V. Athletic devolopment: the art and science of functional sports conditioning. Human Kinectics, 2006.
Markunas M. Iniciação Esportiva: características interdisciplinares do treinamento nas categorias de base (Parte III - Psicologia). Revista do Volei, São Paulo, p. 30 - 35, 01 ago. 2003.
Milistedt M, Collet C, Vieira J. A experiência esportiva e o desempenho de jovens atletas de voleibol. In: Jogos Desportivos Coletivos: investigação e prática pedagógica, UDESC, 2013.
O futuro do Voleibol brasileiro
Acabo de ler, e recomendo, uma matéria escrita por João Gabriel Rodrigues — Rio de Janeiro, onde ele faz comentários sobre as participações das seleções brasileiras sub 21 e sub 19, masculinas, e sub 20 e sub 18 femininas, em seus respectivos campeonatos mundiais de 2021.
Além de lamentar o fraco desempenho em termos de colocações (a melhor classificação foi a da seleção feminina sub 18: um quinto lugar), o autor lamenta que desde 2015 o Brasil não vence um único campeonato sequer, das categorias de base e para ele, isso é motivo de preocupações quanto ao futuro do voleibol brasileiro.
Claro que são preocupações muito importantes, que devem ser levadas a sério, mas a análise, para ser conclusiva, deve ser bem ampla, pois os resultados das categorias de base não devem ser os únicos parâmetros a serem considerados quando se projeta o futuro das seleções adultas. Outros fatores devem, além deste, serem considerados, tais como:
1 - Estatura e aspectos ligados ao Crescimento e Desenvolvimento dos integrantes destas nossas seleções (por exemplo, especialização precoce)
2 - Potencialidades quanto aos aspectos relevadores de possíveis talentos para a prática do voleibol, na idade adulta.
3 - Tempo de prática por parte dos participantes.
4 - Aspectos ligados à capacitação cognitiva dos nossos jogadores
5 - Características do treinamento
Todos estes aspectos analisados de forma comparativa com os das seleções que tem obtido as melhores classificações nos campeonatos mundiais das seleções de base nos últimos anos.
Acreditamos que os integrantes das Comissões Técnicas de todas as seleções brasileiras, principalmente os das adultas, possuam estes dados, e façam planejamentos e projeções através deles. Seria bem interessante que, caso os tenham, que divulgassem para que todos os profissionais que atuam nas categorias preparatórias do voleibol brasileiro tivessem os parâmetros orientadores de seus trabalhos, oriundos de quem deve liderar todo o processo de formação de novos atletas de alto nível, para o voleibol brasileiro.
É bom lembrar que todos estes fatores acima listados, muitas vezes nos permitem afirmar que ser campeão nas categorias de base não assegura sucesso nas categorias adultas.
As preocupações do João Gabriel são, entretanto muito pertinentes, mas apesar da longa estiagem de títulos mundiais nas categorias de base, ainda lideramos o ranking da FIVB no masculino, e estamos em segundo lugar no feminino. Mas até quando conseguiremos nos manter? Mesmo porque, a presença de atletas mais velhos (as) nas disputas de Superliga, como tem acontecido, é bem-vinda, mas pode significar também falta de renovação à altura.
Aos interessados na leitura do texto original do João Gabriel Rodrigues, segue o endereço:
https://ge.globo.com/volei/noticia/analise-fracassos-em-serie-nos-mundiais-exigem-urgencia-em-mudancas-na-base-do-volei.ghtml
Alguns perigos por trás dos calendários de competições do voleibol
O término do calendário internacional de competições deste ano (2021), no qual as principais seleções femininas foram exigidas aos seus limites, traz para os estudiosos do voleibol algumas reflexões que merecem ser feitas com muito carinho e atenção. Neste ensaio vamos analisar apenas os dados vindos das seleções femininas, pois são mais reveladores que os advindos das equipes masculinas. Entretanto, acreditamos que as conclusões poderão facilmente ser generalizadas.
As prováveis conclusões poderão fazer com que não somente as comissões técnicas, a partir deste ano, se preocupem com o planejamento de treinamentos e competições de suas equipes, mas também que cada atleta deverá cuidar, com muita atenção, do desenvolvimento de sua carreira profissional. Acreditamos que o assunto também mereceria reflexões por parte dos dirigentes: dos clubes; das nossas federações estaduais; além daqueles que detém o maior poder de decisão, que são os da CBV.
2021 está sendo um ano competitivo atípico para o voleibol, e talvez possa ser o “start” para a busca de novos comportamentos por parte de Federações Nacionais (no Brasil, CBV), clubes, treinadores e atletas, no sentido de equilibrar interesses. Para as entidades e comissões técnicas, as buscas de títulos são vitais, enquanto para os atletas, estas conquistas valorizam seus currículos, trazem melhores contratos, mas podem abreviar carreiras.
Iniciamos a apresentação de nossas preocupações lembrando que, como a pandemia “empurrou” a Olimpíada de 2020 para 2021, as duas Seleções mais vitoriosas da temporada (Brasil e USA), estiveram envolvidas em 3 competições de alto nível, realizadas fora de seus países, de 25 de maio a 19 de setembro. Primeiro disputaram a Liga das Nações, a seguir vieram as disputas dos Jogos Olímpicos de Tóquio e finalmente seus campeonatos continentais: para o Brasil, o Sul-americano na Colômbia; e para os USA a Copa Pan americana de voleibol, o torneio da NORCECA (North, Central America and Caribbean Volleyball Confederation), disputado na República Dominicana. Os intervalos entre as referidas competições foram de aproximadamente um mês.
Algumas equipes participantes da Liga das Nações optaram por levar um time mais jovem, ou um time “B”, como por exemplo Itália e China. USA e Brasil fizeram as finais tanto da Liga das Nações, em que ambas as equipes optaram por participar com sua força máxima, como das Olimpíadas. Portanto, deve-se acreditar que as atletas dessas equipes chegaram ao auge de suas condições atléticas em Tóquio, pois o Torneio Olímpico é a competição mais importante do calendário internacional do nosso esporte.
Após os Jogos de Tóquio, as duas seleções adotaram estratégias diferentes nas suas respectivas preparações para as suas competições continentais. Enquanto o Brasil optou pela busca de um resultado vitorioso no Sul-americano, os USA preferiu participar sem priorizar a conquista do torneio das Américas Central e a do Norte. O Brasil foi com sua força máxima, à exceção de Fernando Garay e Camila Brait que pediram dispensa, ao passo que a equipe norte americana compareceu à sua competição com quatorze novas jogadoras. Nenhuma das campeãs olímpicas esteve competido na República Dominicana.
Apesar de opções distintas, nenhuma das duas seleções conseguiu jogar o voleibol de qualidade que costuma apresentar. Os USA ficaram com o terceiro lugar, pois perderam na semifinal para o México, que é uma equipe de pouca projeção internacional. Já o Brasil foi campeão do Sul-americano, mesmo sendo derrotado no jogo final pela Colômbia por 3X1. As americanas mostraram um time com qualidade individual e coletiva muito inferior àquela que demonstraram na Liga das Nações e nas Olimpíadas, e o Brasil, apesar do título conquistado com a presença de 10 das vice-campeãs olímpicas, apresentou-se também muito abaixo do esperado no enfrentamento de rivais que tradicionalmente não ofereciam grande resistência ao nosso poderio. Individualmente as nossas atletas estavam muito fora de suas condições normais, fato que determinou um conjunto irreconhecível, em relação àquele que estamos acostumados a ver.
Lições que essas duas condutas nos trazem:
1-Os calendários competitivos organizados pela FIVB e Federações continentais precisam ser repensados, pois o grande número de torneios e os intervalos reduzidos entre eles, muitas vezes não tornam compatíveis as preparações dos atletas para tais competições, assim como para as competições nacionais.
2- É muito comum clubes que possuam atletas em seleções nacionais, os quais são responsáveis pelos seus salários, fazerem com que o retorno dessas atletas às atividades no clube, após as competições internacionais, seja muito próximo destas, o que acarreta preparações coletiva e individual inadequadas. Isso traz prejuízos para as equipes dos clubes, mas também pode influir negativamente no desempenho dos atletas, a curto, médio e longo prazo.
3- É compreensível que os clubes que possuam atletas de nível internacional tenham alta expectativa quanto à performance das mesmas. Entretanto, atletas recém-saídas dos grandes torneios internacionais, estarão em condições de atuar dentro de seus melhores níveis de performance? Se em um torneio internacional importante o atleta atingiu seu “pico máximo” de performance, é natural que se espere uma queda de rendimento na sequência. No entanto seus clubes têm compromissos com seus patrocinadores e torcedores, portanto cobram rendimentos compatíveis com os investimentos realizados, e os atletas procuram corresponder às expectativas na busca de vitórias e manutenção de sua imagem.
4- Qualquer indivíduo minimamente informado sobre planejamento e periodização da atividade esportiva competitiva, sabe que a manutenção de altos níveis de performance é impossível por tempo prolongado. A tentativa de se alongar altos padrões de produtividade pode levar a esgotamentos físicos e mentais que são fenômenos de consequências muitas vezes imprevisíveis.
O desequilíbrio entre carga e recuperação causa o overtraining que leva à perda do desempenho. O overtraining gera sintomas físicos e sintomas de natureza psicossocial: problemas sociais (família, namorado(a), técnico, amigos); sentimentos negativos (falta de interesse no treino e competição); diminuição da autoconfiança e habilidade de concentração, irritabilidade, depressão, tristeza, e aumento da percepção de estresse. Quando ele se prolonga por meses, pode levar ao burnout.
Weinberg e Gould (2008) definem a síndrome de burnout como um esgotamento causado por esforços intensos e por vezes ineficazes no treinamento e competição, que se refletem em respostas físicas e psicossociais. A síndrome de burnout, que é o esgotamento, causa o dropout, que é o abandono.
Não por acaso, todos os modelos de periodização preveem, após os períodos competitivos mais importantes, um período regenerativo, não só para prevenir overtraining, Burnout ou dropout. Essa estratégia não só garante a manutenção e o crescimento da performance esportiva, como também auxilia na manutenção da saúde dos atletas em sua dimensão completa: física, mental e social. Ela também colabora para a obtenção por parte dos atletas, de longevidade tanto quantitativa como qualitativa.
Em função dos aspectos determinantes para o desenvolvimento das carreiras das atletas, passamos a levantar algumas preocupações que elas e seus agentes devem refletir:
1 - O Clube onde a atleta está, ou para onde pretende se transferir, possui uma infraestrutura capaz de atender todas as necessidades que uma atleta tem, ou pode vir a ter?
2 - A comissão técnica de seu clube tem conhecimento para oferecer treinamentos físicos, técnicos e táticos compatíveis com as suas características e necessidades? Naquela equipe seu rendimento vai crescer, estagnar ou cair?
3 - Com quais tipos de especialistas profissionais a comissão técnica do clube é formada? (técnico, auxiliar, preparador físico, fisiologista, médicos, psicólogo, estatístico, nutricionista etc.)
4 - O clube otimizará as participações competitivas de maneira a atender aos seus objetivos em conformidade aos das atletas?
5 - Atletas em formação serão titulares ou reservas?
6 - Para atletas selecionáveis, haverá um bom relacionamento entre as comissões técnicas do clube e da seleção no planejamento de seu treinamento?
Fizemos as indagações acima para alertar atletas, quanto à necessidade de bem gerenciar suas carreiras profissionais. Como vimos nos exemplos que Brasil e USA nos deram, num ano como este, com um calendário tão sobrecarregado, as exigências sobre os atletas tendem a ser cada vez maiores fazendo com que as preparações sejam mais centradas na performance das equipes, tornando menores os cuidados com a integridade individual dos atletas.
Não devemos esquecer que essas atletas das equipes adultas, passaram, na sua grande maioria pelas categorias de base das equipes de seus países, e vêm, portanto, passando por esse acúmulo de competições, desde muito cedo. A importância de um bom gerenciamento das carreiras dos atletas não deve se restringir apenas à idade adulta. Há uma tendência no aumento do número de competições internacionais tais como: sub 23, sub 21, sub 19, sub 17 etc. Isso exige que os responsáveis pela formação de atletas não só sejam bem preparados em termos técnicos, como também em termos éticos. O excesso de competições nessas categorias, que representam um momento do crescimento e desenvolvimento do voleibolista, pode levar ao comprometimento da longevidade qualitativa e quantitativa. O jovem quer competir, portanto, cabe aos profissionais em sua volta planejar e dosar suas intervenções.
Como este assunto envolve muitos interesses diversos, acreditamos que para o bem do voleibol de alto nível, há a necessidade de um bom e claro entrosamento de todas as partes envolvidas, caso contrário todos saem perdendo. Comissões técnicas de clubes e seleções, atletas e seus agentes, dirigentes de clubes e entidades, necessitam planejar juntos. Para os atletas aconselhamos uma gestão inteligente e otimizada de suas carreiras, pois dinheiro rápido, fama repentina, muitas vezes pode também significar um fim precoce de carreira.
Para encerramos voltamos ao início desta reflexão deixando para vocês, caros amigos leitores, duas indagações:
1 - Você acredita que se os USA tivessem participado do Torneio da NORCECA com todas as suas jogadoras campeãs olímpicas ele teria mostrado o mesmo rendimento que teve em Tóquio e seria o campeão? O Os americanos fizeram bem em poupar suas principais atletas dando chances para outras adquirirem experiência internacional?
2 - Você pensa que se o Brasil fizesse como os USA e tivesse disputado o Sul-americano com outro time, dando oportunidade para que outras atletas adquirissem bagagem internacional, teria conquistado o título? Temos um número de boas jogadoras, suficiente para montarmos um time “B” bom o suficiente para ganharmos o referido torneio?
Os caminhos que a Olimpíada de Tóquio mostrou para o Voleibol:
temos que nos reencontrar com as nossas origens
As participações das seleções brasileiras de voleibol de quadra nas Olimpíadas de Tóquio nos trouxeram uma surpresa negativa e outra positiva.
Vejamos:
A seleção masculina, que vinha de uma conquista, já esperada na Liga das Nações, chegou a Tóquio como a favorita à medalha de ouro, em virtude das grandes conquistas iniciadas no Rio de Janeiro em 2016. Mesmo com a participação de equipes como Polônia, bicampeã mundial; Rússia, campeã da liga das Nações em 2019; Itália, vice-campeã olímpica, dos espetaculares Zaytzev e Juantorena, dentre outros; França, de Ngapeth; USA, com sua versatilidade tática; além das outras equipes não tão prestigiadas como Canadá, Argentina, Japão, Irã e Tunísia, o Brasil foi considerado pela maioria dos especialistas como a equipe a ser batida.
Entretanto na fase de grupos não conseguimos enfrentar a equipe russa, que além de saque muito poderoso, responsável por facilitar seus bloqueios eficientes, nos surpreendeu com ataques muito rápidos tanto pelo centro como pelas extremidades da rede, mesmo com recepções com passe longe da rede (passe B ou C). Acabamos em segundo lugar.
Já nas quartas de final não tivemos maiores problemas com o time do Japão, pois conseguimos impor o nosso jogo através de um bom passe, ótimo bloqueio e ataques variados. Veio então a semifinal, em mais uma disputa contra a Rússia. Apesar de termos jogado melhor do que a partida da fase de grupos contra essa mesma seleção, mais uma vez não conseguimos enfrentar a maneira variada e eficiente de jogar dos adversários.
Fomos para uma inesperada disputa da medalha de bronze contra uma motivada Argentina. Claro que os nossos atletas não entregaram o jogo, mas foi nítido que a vontade de vencer dos argentinos mostrou-se determinante.
Voltamos sem nenhuma medalha! Claro que a Comissão técnica do Brasil, que é muito competente, saberá encontrar as razões desta derrota: a ausência do nosso treinador Renan Dal Zotto no período que antecedeu as olimpíadas, uma possível falha na periodização, além o fato de ser a equipe a ser batida, e por isso mesmo a mais estudada pelos adversários, são fatores que podem ter contribuído para a fraca campanha. Talvez encontremos outros fatores, como veremos ao final deste estudo! Temos, entretanto, a convicção de que assim como sabemos ganhar, também saberemos tirar proveito deste insucesso, e continuaremos como o melhor voleibol masculino do planeta.
Já a seleção feminina foi coroada com uma brilhante medalha de prata, contrariando todos os prognósticos. A China e a Sérvia, campeã e vice olímpicas de 2016, eram apontadas com francas favoritas à disputa do primeiro lugar. USA e Itália também gozavam das preferências dos especialistas, enquanto o Brasil era apontado como a quinta força, e talvez a quarta.
Portanto, para muitos, aquela final entre USA e Brasil na Liga das Nações só aconteceu porque China, Sérvia e Itália não haviam comparecido com suas forças máximas, já que haviam optado por investir aquele período em treinamentos para se apresentarem com forças máximas em Tóquio. Ledo engano!
A China se apresentou muito mal, com uma equipe renovada, que sequer obteve classificação entre as quatro do seu grupo. A Itália com suas atacantes muito fortes, se classificou em segundo lugar no grupo dos USA, mas não passou pelas quartas de final, quando foi presa fácil para a Sérvia, que por sua vez, por ser muito irregular, foi facilmente derrotada por 3X0 pelos USA, nas semifinais. Já o Brasil obteve o primeiro lugar de um grupo forte que continha três das quatro equipes semifinalistas: Brasil, Coreia e Sérvia. A seleção feminina manteve a regularidade nas etapas seguintes superando, sem problemas, primeiro a Rússia, depois a Coreia, habilitando-se para fazer, novamente, uma final contra os USA.
A nossa equipe feminina foi derrotada na final por 3X0 pelas americanas, mas conquistou um inesperado segundo lugar, fruto do bom trabalho realizado no processo de preparação realizado por uma Comissão Técnica competente e experiente.
Temos que comemorar muito essa conquista, e temos, entretanto, que fazer análises frias das razões que levaram a França, no masculino, e os USA no feminino, a conquistarem as “medalhas de ouro”, pois talvez dessa forma, nos reencontremos com as origens do voleibol brasileiro.
Não por acaso, a França masculina tem um Ngapeth e os USA feminino contam com uma Larson! As partidas finais dos torneios olímpicos, tanto dos rapazes quanto a das moças, mostraram nitidamente os caminhos que o voleibol de alto nível adotará nos próximos anos.
Quando se fala de tendências para o nosso esporte, muito se fala em estatura, preparação física e potência de golpes. Alguns citam a importância das técnicas para a realização dos fundamentos dos jogos e outros de soluções táticas coletivas inovadoras.
Realmente são fatores muito importantes para a boa prática do nosso esporte, mas o que Ngapeth e Larson, junto com seus companheiros mostraram, é que ser inteligente e rápido nas ações são fatores diferenciais para o sucesso!
Nos tempos atuais, os planos de jogos e as táticas para cada partida são determinados pelos levantamentos estatísticos, feitos por instrumentos sofisticados, que são estudados exaustivamente através de vídeos, que mostram as ações coletivas e individuais dos adversários. Os atletas são condicionados em suas ações por meio de muitas visualizações dos vídeos que reforçam as estatísticas, e por treinos que simulam as respostas mais adequadas para cada situação.
Em resposta à “automatização” resultante dessa estratégia de procedimentos atuais, as equipes campeãs de Tóquio trouxeram de volta, algo que era uma característica marcante do voleibol brasileiro: a IMPREVISIBILIDADE. Larson e Ngapeth ao atacarem, “esgrimiam”, encontrando soluções inovadoras e inesperadas deixando as formações defensivas inseguras em seus procedimentos.
O exemplo dado sobre os dois atletas diferenciados, em suas intervenções de ataque, foi utilizado para fazermos algumas reflexões decorrentes daquilo que essa olimpíada recém finda nos mostrou acerca dos fundamentos do jogo:
1. A utilização do saque potente mostrou-se de muita valia para complicar e tornar previsíveis as ações dos sideouts adversários. Mas as variações dos tipos de saques foram de maior valia. Nas equipes campeãs, além do “saque híbrido”, foi frequente o mesmo jogador variar o saque em sua potência; com ou sem rotação, além das zonas de partida e destino. Ficou claro que a tática era não permitir que as recepções de saques se adaptassem a um tipo de padronizado de saque. É a volta do saque inteligente e não só potente.
2. As saídas para o ataque (sideout) apresentaram alguma variação quanto ao ponto de levantamento. Na maioria das vezes o passe foi endereçado entre as posições 2 e 3, mas também foi utilizada a estratégia do levantamento partir do centro da rede ou mesmo no espaço compreendido entre as posições 3 e 4. Estas variações buscavam atrair o bloqueador central para um distanciamento maior em relação ao ataque dos seus opostos, que atacam, na maioria das vezes, nas posições 2 e 1. Mas a grande novidade foi a realização de ataques de com levantamentos velozes mesmo com passe distantes da rede: entre a linha central e a de ataque – “passe B” e perto da linha de ataque – “passe C”. Não foram raros levantamentos, realizados tanto para as extremidades como para o meio da rede com bolas chutadas para os centrais, mesmo com passes “ruins”. Foi possível observar que os atacantes procuravam sempre utilizar as mãos dos bloqueadores que, em virtude da velocidade dos levantamentos, muitas vezes não chegavam bem postados e equilibrados. Vimos atacantes com uma riqueza de golpes inovadora.
Quanto à recepção propriamente dita, a manchete foi destacadamente a técnica mais utilizada, em virtude da violência da maioria dos sacadores. Entretanto, com as variações apresentadas dos tipos de saques utilizados, os atletas responsáveis pelas recepções mostraram alta capacidade de antecipação, deslocamentos com muita aceleração e a utilização da manchete em movimento, o que exige muito equilíbrio dinâmico, além de uma técnica apuradíssima.
3. Em relação aos levantamentos, mais uma vez viu-se muita suspensão, a utilização de uma só mão, além do jogo em velocidade mesmo com passes B e C, principalmente para as posições 4 e 3. A reversão, ou seja, levantamentos na maior distância também foi muito contemplada. Os levantadores também procuraram criar surpresas para os adversários com largadas e ataques de segunda. A maioria dos levantadores também mostrou muita eficiência nas ações de bloqueio.
Também foi nítida a importância dos líberos, assim como os atacantes, serem competentes em levantamentos, inclusive com alguma capacidade de criatividade.
Esteve presente, com alguma frequência, uma tentativa de tornar mais breve a preparação de ações ofensivas, através de levantamentos com a primeira bola. Algumas seleções, principalmente a masculina do Brasil, ao receberem, “de graça” – Free ball - a bola vinda dos adversários, efetuavam levantamentos através do atleta que a recepcionava, em uma tentativa de surpreender os esquemas defensivos adversários. Nada ainda parecido com as estratégias de mesmo fim, utilizadas no voleibol de areia, onde isso comumente acontece. No voleibol de praia, essa tática ocorre não só nas bolas de graça, mas também em defesas que neutralizam cortadas. Mas, sem dúvida, é um novo caminho a ser considerado.
A elevada estatura dos levantadores(as) também foi uma preocupação das equipes olímpicas, não só para aumentar eficiências dos bloqueios, mas também para tornar mais eficientes as intervenções que visavam atrair as atenções dos bloqueios adversários e eficazes seus ataques de segunda bola.
4. Não raramente os atacantes, quando se viram frente a bloqueios previamente bem postados, utilizaram batidas com pouca força contra eles, para permitir que suas coberturas de ataque iniciassem a reconstrução de uma nova ação ofensiva. A aplicação dessa tática individual, além de ser de altíssimo nível, também reflete o grau de preparação das táticas coletivas das equipes.
5. As formações defensivas se caracterizaram por uma tentativa constante de uma boa relação entre as ações dos bloqueios com as de jogo de campo. Claro que como sempre, os saques eficazes sempre facilitaram tal entrosamento.
O semicírculo foi a formação defensiva mais utilizada, tanto com bloqueio simples como com os coletivos. Vimos todas as equipes partindo do posicionamento 3:2:1, mas com os laterais bem dentro da quadra.
O feminino apresentou uma meia proteção atrás dos bloqueios de extremidades, para que as atletas pudessem atuar tanto nas bolas largadas quanto nas atacadas nas paralelas. Já o masculino mostrou uma variação grande do posicionamento do defensor da posição 6, ora dentro da quadra e ora muito afastado, às vezes fora dela, dependendo da altura da bola e do distanciamento dela em relação à rede.
Não foram poucos os ralis acima de 20 ou 30 segundos! De forma que se viu muito volume de jogo e muita complexidade, resultados de muita defesa realizada em função de conhecimentos prévios dados pelos levantamentos estatísticos realizados antes e durante as partidas; mas também resultantes de táticas individuais de defesa, principalmente por parte dos líberos. Foram decisivas as leituras das intenções dos atacantes adversários, rápidas tomadas de decisões, muita velocidade nas ações, agilidade e movimentos acrobáticos, que tornaram as defesas menos estáticas e previsíveis.
6. Apesar da análise acima ter mostrado novidades em todos os fundamentos do jogo, acreditamos que foi no ataque que mais se viu os indicativos dos caminhos que a prática do voleibol adotará daqui para frente. Finalizações potentes, atacantes com alcances muito elevados, levantamentos velozes e ataques combinando as ações da “primeira bola com a segunda ou terceira” já vinham sendo uma tendência, mas ganharam um novo tempero: variações nas intenções e nas fintas de gestos.
Frequentemente os atacantes surpreendiam os defensores, com largadas e exploradas inesperadas. Fintas de gestos foram comuns no momento das finalizações, de forma torná-las menos previsíveis. A mescla constante de ataque potentes com os mais criativos mostrou que o enriquecimento dessa tática individual estimulará, obrigatoriamente, ainda mais a busca por respostas adequadas das ações defensivas.
Este novo caminho, ou seja, a disputa entre a imprevisibilidade cada vez maior das ações ofensivas com uma possível antecipação das defensivas se contrapondo, implicará em treinamentos que contemplem cada vez mais o desenvolvimento de uma ótima e rápida relação entre o pensamento convergente e o divergente.
Jogadores mais inteligentes, mais criativos deverão ser capazes de tomadas de decisões cada vez mais rápidas. A busca dessa capacitação trará consequências também no treinamento físico e no técnico, pois ninguém é veloz sem ser forte e que ninguém joga rápido com eficácia, sem possuir técnicas apuradas de sua modalidade (como disse Yuri Verkoshanski, em suas fundamentações para a validade da Periodização em Blocos).
Jogadores muito inteligentes, criativos, com técnicas muito bem executadas, velozes em suas ações e por consequência com táticas individuais elevadíssimas, deverão ser preparados para o voleibol do futuro.
Não pode ser esquecido, entretanto, que as capacidades de concentração, autocontrole, autoconfiança, determinação e resiliência é que permitirão que este novo voleibol seja praticado. Essas qualidades também são treináveis e deverão caminhar ao lado do desenvolvimento dos outros aspectos dessa nova forma de jogar.
Temos que formar novos Ngapeth e Larson. Se conseguirmos tal façanha retornaremos às características pioneiras do voleibol que mostramos ao mundo em nossa arrancada para nos tornarmos referência entre os melhores: nos tempos de Ricardinho, Giba, Dante, Ana Flávia, Fofão, Márcia Fú, dentre tantos, as nossas seleções eram compostas por especialistas em suas funções táticas com características de jogadores “universais”. Criamos uma maneira diferente e inteligente de jogar voleibol, e como referências, fomos copiados. Está na hora de voltarmos às nossas origens e nos reencontramos com o voleibol que criamos: o da inteligência e criatividade.
Esperamos não mais passar o constrangimento de ouvir os brados
que o comentarista da transmissão da televisão da final feminina lançava: “temos que entrar rasgando”, quando atacávamos, enquanto do outro lado da rede Larson e suas companheiras nos superavam com facilidade “esgrimindo”.
A Olimpíada de Tóquio mostrou que jogar com sutileza e picardia é o caminho para se vencer a robotização trazida ao voleibol pela utilização engessada das estatísticas.
Os caminhos legais para a formação de um Treinador de Voleibol no Brasil e seus desafios
Caros amigos:
Recentemente participei, como Instrutor, ao lado do Diretor Ari Rabello, da fase presencial do Curso de Treinadores Nível III em Votorantim, SP, organizado pela CONAT (Comissão Nacional de Treinadores) da CBV, que formou para o voleibol brasileiro, 26 novos Treinadores Nível III.
Após os estudos gerais organizados por instrutores, a formação destes Treinadores foi complementada por atividades organizadas pelos próprios participantes que demostraram treinamentos organizados sobre os mais variados temas, ligados à melhoria da performance de atletas e equipes de voleibol adultos de ambos os naipes.
As referidas atividades propiciaram muitos debates e compartilhamentos de conhecimentos e pontos de vista. Essas discussões mostraram que nossos novos treinadores estão muito bem preparados, conhecendo os vários fatores que devem ser considerados no treinamento de alto nível da nossa modalidade. Fiquei muito impressionado, como os novos profissionais demonstram possuir formações multidisciplinares, fator imprescindível para o treinador moderno.
Gostei muito de compartilhar os conhecimentos que adquiri até o presente, com os novos profissionais, o que propiciou para mim, muito aprendizado.
Obrigado aos novos treinadores Nível III do melhor Voleibol de Mundo!
Sempre que participo de um novo curso de formação de novos treinadores, lembro dos muitos Professores de Educação Física que amam o voleibol e sonham em serem Técnicos da modalidade para trabalharem em clubes e participar desse mundo competitivo tão fascinante! Quantos sonham, mas não conhecem o caminho e não sabem que a formação não é tão difícil. Também ignoram como conquistar um lugar no mercado de trabalho.
Para aqueles que têm esse interesse mas acham difícil encontrar uma colocação profissional, duas coisas devem ser consideradas: a primeira é que o voleibol brasileiro é o melhor do mundo e com isso o mercado de trabalho é cada vez maior, e há muitas oportunidades; e a segunda é que o próprio processo de formação organizado pela CONAT (Comissão Nacional de Treinadores, da CBV) muitas vezes abre caminhos dentro do mercado de trabalho, pois seus participantes passam a ser relacionar com profissionais já inseridos no mesmo. Aqueles professores, que se destacam nos cursos da CBV tem grandes chances de sucesso.
Caso você seja um daqueles que desejam seguir a carreira se treinador de voleibol, importante que saiba de alguns pontos importantes:
A CBV (Confederação Brasileira de Voleibol) organiza a profissão de Treinador Nacional de voleibol em 5 níveis. Os quatro primeiros dependem de sua formação acadêmica e/ou dos cursos organizados pela CONAT, como vimos acima e detalharemos abaixo. O Nível 5 é outorgado para os treinadores que conquistam títulos internacionais com uma Seleção Brasileira. Espero que você tenha como um de seus objetivos profissionais ser, um dia, um treinador brasileiro nível V. Para tanto, você precisa galgar os quatro primeiros níveis!
A seguir, mostraremos a você as características gerais de cada um dos cursos, os objetivos de cada um deles e o caminho para os cursos de nível I, II, III e IV:
Para iniciarmos a nossa explanação é importante que você saiba que somente recebem diploma e registro funcional como treinador, em qualquer nível, profissionais que possuam Registro no Conselho Regional de Educação Física (CREF) do seu Estado.
Nível I: habilitará o treinador a trabalhar na iniciação ao voleibol, voleibol escolar e na formação de atletas jovens, podendo dirigir equipes até o sub-15 feminino e sub-16 no masculino, em competições oficiais e (ou) chanceladas pela CBV.
Qualquer pessoa pode se inscrever para realizar esse curso de Nível I, mas somente os possuidores do CREF podem receber o Registro, junto à CBV, para trabalhar como Treinador.
Obs: Todo Professor de Educação Física, que possua Registro no Conselho Regional de Educação Física (CREF) e comprove que na grade curricular do seu curso de graduação, havia a disciplina de voleibol com um mínimo de 40 hs/aula, poderá pleitear na Federação de Voleibol de seu Estado, o título de Treinador de Nacional de Voleibol de Nível I, e o respectivo Registro junto à CBV. Ele será, portanto, liberado de cursar o curso deste Nível organizado pela CONAT, caso decida prosseguir na formação.
Nível II:
Este curso tem por objetivo: preparar e habilitar Treinadores para dirigir equipes até as categorias sub-20 no masculino e sub-19 no feminino.
Podem se inscrever para os cursos de formação de habilitação de Treinadores de nível II, os profissionais possuírem o Nível I Nacional ou Internacional (da FIVB, Federação Internacional de Voleibol); ou os graduados (tendo comprovado em Histórico Escolar ter cursado e obtido aprovação na disciplina Voleibol de um mínimo 40h/a no Curso de Licenciatura Plena ou Bacharelado em Educação Física. Os Provisionados, com especificidade em voleibol com o ensino médio completo, também podem inscrever-se.
Obs: todo Professor de Educação Física, que possua Registro no Conselho Regional de Educação Física (CREF) e comprove ter concluído o curso de Pós Graduação Latu Sensu em Voleibol, que tenha contemplado ao menos 120 hs/aula para o estudo específico da modalidade, poderá pleitear junto à Federação de Voleibol de seu Estado, o título de Treinador de Nacional de Voleibol de Nível II, e seu respectivo Registro na CBV. Ele estará, portanto, liberado de cursar o curso deste nível organizado pela CONAT.
Nível III:
Este curso tem por objetivo: preparar e habilitar Treinadores a dirigir equipe de qualquer nível em competições oficiais da CBV, desde que possuam registro no Conselho Regional de Educação Física (CREF).
Para inscrever-se para participar dos cursos de formação de habilitação de Treinadores de Nível III, você deve possuir o Nível II nacional ou internacional da FIVB; ou ainda ter a pós-graduação lato sensu em Voleibol; apresentando a comprovação da conclusão de curso cuja grade curricular apresente o estudo presencial, de no mínimo 120 hs/aula da disciplina voleibol. A grande maioria dos Treinadores que atuam na Superliga tem esta formação.
Nível IV:
Os Treinadores que conquistarem o Nível IV, além do Registro deste Nível estarão potencialmente habilitados para serem convidados para serem Instrutores dos cursos da CONAT, além de gozarem os mesmos diretos dos Treinadores Nível III. O Registro deste Nível, junto à CBV, requer que o Treinador apresente seu CREF.
Podem inscrever-se para este curso os Treinadores que possuírem o Nível III da CBV ou da FIVB.
Agora que você já conhece como a CBV estrutura e organiza a profissão de Treinador de voleibol no Brasil, é só tomar a iniciativa de correr atrás de seus sonhos. Lembre-se que se trata de uma profissão fascinante e desafiadora, porém as recompensas são das melhores, principalmente aquelas ligadas à realização pessoal. Lembre-se que para auxiliá-lo, estaremos sempre com muitos conteúdos e sugestões, na Academia do Voleibol.
João Crisóstomo Bojikian
Ser Atleta de Voleibol
(O texto a seguir refere-se ao atleta tanto masculino quanto feminino)
O voleibol é um esporte muito dependente dos aspectos coletivos - um atleta depende do outro. Cada atleta deve sentir-se como uma peça integrante de uma grande engrenagem. Deve sempre estar disponível para fazer o seu melhor em prol do time, do conjunto. Deve procurar superar-se sempre em termos de colaboração e dedicação.
Deve estar sempre vigilante para que o grupo e cada um dos colegas deem o máximo e sejam positivos. É preciso ter auto crítica, mas de forma positiva, e saber que nem sempre se acerta ou vence, mas entender os porquês de cada performance é importante para aperfeiçoar-se.
É importante conhecer as características do voleibol, pois para que um atleta seja bem sucedido, é fundamental que ele compreenda que trata-se de esporte de situação (habilidades motoras abertas) sem a possibilidade de retenção da bola. As tomadas de decisões são rapidíssimas, pois antes de tocar na bola, o atleta tem que saber o que deve fazer com ela. Antes que o colega de equipe ou um adversário faça sua ação, saber antecipar-se para estar pronto para a sua próxima intervenção.
Portanto, raciocinar sobre o jogo, ser inteligente – treinar sempre os aspectos cognitivos envolvidos nas ações do voleibol. Saber que os grandes jogadores de voleibol são os mais inteligentes pois, sempre encontram a melhor solução para cada lance, cada situação problema, e portanto, querer ser um deles.
Sugerimos, a seguir, algumas reflexões que provavelmente ajudarão os treinadores a orientarem seus atletas nos aspectos comportamentais, de modo a facilitarem o caminho deles ao sucesso.
A formação dada pelos treinadores deve levar os atletas de voleibol a: saber treinar e saber jogar.
Para quê treinar
Todo atleta sabe que treina para melhorar, mas poucos sabem quais pontos devem aperfeiçoar.
Todo atleta tem que saber o que foi buscar em cada sessão de treino. Treino não é um “passatempo”. Uma sessão de treino pode objetivar a melhoria individual da performance, ou a preparação adequada da equipe para determinadas tarefas específicas para um próximo jogo. Ao final de cada treino, o atleta deve estar cansado fisicamente, mas mentalmente realizado, com o sentimento de haver conquistado mais um degrau em direção à perfeição. Por melhor que o atleta seja, esse sentimento deve refletir a eterna insatisfação com sua capacitação de momento, ou seja, sempre querer aprender mais e aperfeiçoar-se.
Após o término do treino, o praticante deve fazer uma auto avaliação para saber se o treino lhe foi útil e produtivo, se os objetivos foram alcançados e preparar-se para o próximo.
A atitude correta em relação aos treinos passa pela consciência da interdependência entre treinamento técnico, tático e físico. É importante saber que um bom condicionamento físico otimiza a produtividade técnica e tática, e a recíproca também é verdadeira, pois atletas com eficácia nas ações técnicas e táticas, de modo que sejam otimizadas, normalmente economizam energia.
O reconhecimento do seu real potencial com base numa honesta auto crítica, facilita ao atleta saber o que buscar em cada treino, procurando melhorar seus pontos fortes e minimizar suas fraquezas, sem negligenciar a importância dos aspectos cognitivos envolvidos em suas atuações.
A busca da superação do seu limite de momento deve ser uma constante no cotidiano dos atletas. O que significa isso? Na verdade, trata-se de ser perseverante, suportar fadiga e dor, superar e absorver erros e fracassos. O sair da sua zona de conforto na busca de um novo patamar de realização, deve ser algo natural para quem treina e compete. Treinar os aspectos volitivos aumenta a chance de vitórias! O jogador deve aproveitar os momentos de estresse para praticar o autocontrole, tão necessário nos instantes cruciais que serão encontrados ao longo das competições. A resiliência deve ser algo natural, ou seja, pertinente à condição de ser atleta.
É esperado que os atletas possuam uma preparação mental para os treinos e jogos. As instruções e recomendações dos treinadores, e os conselhos de atletas mais experientes devem ser aproveitados de forma consciente.
Saber Jogar
É famosa a frase: “Jogo é jogo e treino é treino”!
Nem todo atleta consegue produzir nos jogos aquilo que produz nos treinos.
Para ter maiores chances de realizar seu máximo nas partidas, o atleta precisa preparar-se para o jogo, entendendo que o jogo inicia-se 2 ou 3 horas antes do primeiro saque. Concentração, alimentação e relembrar as suas atribuições táticas recomendadas e treinadas pelo treinador, deve fazer parte de um ritual próprio de cada um.
Vamos destacar alguns aspectos comportamentais esperados de cada atleta inclusive nos momentos que antecedem o início de cada partida, para que ele saiba como se preparar para jogar:
a) Na preleção: concentração e atitudes positivas. Mostrar-se à disposição do grupo e disposto para a batalha! Titular ou reserva, mostrar para a o treinador e companheiros, estar pronto e confiante.
b) No aquecimento físico: realizar a rotina estabelecida pela comissão técnica e ir repassando mentalmente suas tarefas naquela partida.
c) No aquecimento com bola, no trabalho 2X2: auxiliar o companheiro principalmente se ele for tecnicamente inferior ou menos experiente.
d) No aquecimento de rede: realizar os ajustes de tempo de bolas e lembrar que uma performance boa nesse momento, poderá intimidar o adversário. Sentir os companheiros, os adversários, torcidas etc. Caso perceba algum colega com insegurança, o atleta deve procurar delicadamente orientá-lo e estimulá-lo. O aquecimento deve ir aumentando de intensidade e precisão dos gestos, de forma que no primeiro rali da partida o atleta esteja 100% pronto.
e) “O GRITO DE GUERA”! Ao darem-se as mãos o atleta deve olhar nos olhos de seus companheiros e ver que ali estão seus parceiros de luta, aliados que ele pode confiar e que lhe ajudarão. Deve demonstrar reciprocidade. O grito tem que vir de “dentro”! Deve refletir a UNIÃO DE UM GRUPO INDISSOLÚVEL. Um grupo confiante e perseverante. Pronto para dar o seu melhor.
f) Atuação no jogo: o atleta deve sentir “em casa”, à vontade! Ele está fazendo o que gosta, o que ama! Ele se preparou para aquele momento e deve desfrutar ao máximo os momentos desafiadores que se apresentarão.
É fundamental que as atuações de cada um sejam coerentes com o plano de jogo traçado pelo treinador. Pensar e avaliar cada lance (seu) e dos outras atletas deve ser uma constante, do início ao término da partida. Ser positivo consigo e companheiros. Estar preparado para erros e acertos é parte integrante da formação de um bom atleta. Nos jogos difíceis a resiliência mais uma vez, deve ser sua aliada. Nas adversidades jamais demostrar instabilidade emocional para os companheiros, e menos ainda para os adversários e torcedores. A manutenção constante de uma postura que demostre confiança, perante os adversários e adversidades é um ótimo caminho para atuações vitoriosas. Mostrar-se positivo e confiante nos momentos cruciais do jogo, muitas vezes entusiasma o próprio atleta e sua equipe, além de poder minar a confiança dos adversários.
Durante toda a partida, fácil ou difícil, somente a manutenção da concentração, do autocontrole e da lucidez, permitirão ao atleta dar o seu melhor em prol da planificação tática planejada. Acreditar sempre em si e em seus companheiros de time facilitará a obtenção de sua melhor performance.
g) O Pós jogo: depois de terminada a partida é importante para a imagem de cada atleta, tanto após vitórias ou derrotas, mostrar-se respeitoso com os componentes da equipe adversária.
É comum, após o término das partidas, as comissões técnicas se reunirem com seus atletas para fazerem uma breve resenha do jogo. Os atletas devem estar atentos para aproveitar as avaliações, por mais breves que elas sejam, pois sempre serão leis para jogos e treinos futuros.
Horas depois do encerramento do jogo, com banho tomado e alimentação adequada realizada, e em um ambiente tranquilo, é recomendável que o atleta faça uma avaliação de sua atuação, e relembre suas tomadas de decisões em lances importantes. Essa reflexão, com certeza trará um enriquecimento na memória motora do jogador e o tornará mais apto para ter sucesso em tomadas de decisões futuras, quando situações de jogo semelhantes se apresentarem.
“Distante dos jogos”
Também colabora com o aperfeiçoamento dos jogadores de voleibol terem atitudes adequadas quando assistem jogos de equipes que não sejam a suas. Assistir com olhos profissionais e críticos, pois avaliar as intervenções de outros atletas pode servir de um processo muito válido de aprendizado.
Será produtivo manter sempre um bom diálogo com técnicos e assistentes, para que indiquem os melhores caminhos para o seu desenvolvimento pessoal como atleta.
Enfim, o jogador de voleibol, necessita ter filosofia de vida voltada para a sua atividade profissional, de maneira a estar em constante evolução e aperfeiçoamento.
CURSO CBV NIVEL II SOROCABA 2023
Caros amigos
No último sábado concluímos mais um Curso Nacional de Treinadores de Voleibol Nível II, organizado pela CONAT (CBV) e realizado em Sorocaba, SP, cujo encerramento foi registrado nesta foto. Tive a honra de participar como Diretor, e foi um curso muito marcante, onde tivemos um grupo de alunos extremamente participativo, produtivo e unido! Uma nova fornada de bons treinadores já está disponível no mercado de trabalho. Portanto quero agradecer aos Instrutores que compartilharam comigo a responsabilidade de conduzir as atividades pedagógicas. Graças a eles o Curso foi tão Especial!
Estiveram presentes na abertura: Prof. Carlos Rios (Carlão) e Profa. Dra. Márcia Albergaria. Coordenador da Logística e Infraestrutura: Prof. Douglas Santa Anna. Instrutor: Prof. Sergio Negrão. Instrutores Palestrantes Convidados: Prof. Ari Rabello, Prof. Dr. Claudio Bacci, Prof. Dr. José Elias de Proença, Profa. Dra. Luciana Perez Bojikian, Prof. Dd. Marisa Markunas, Profa. Mirtes Benko e Prof. Luiz Carlos Rodrigues (Cadillac), além do árbitro internacional Rafael Lino! Um Timaço!
Novos cursos virão!